Quem sou eu

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Porto Velho, Rondônia, Brazil
Tenho a fé inabalável dos que creem no altíssimo. Sou forte quando os que amo precisam de mim. Sou frágil quando sou magoada. Não acredito em ‘mentiras sinceras’. Amo e procuro exalar amor. Sou ilimitadamente fiel aos que amo. Tenho a piedade caridosa dos que tentam me odiar. Nem sou toda Luz, mas a trevas não se apoderam de mim. O meu coração não é aquele barco com a vela panda. A minha vida não é um barco à deriva. Sou um ser racional, mas me entrego à idéia de ter um “porto seguro”, para que eu não necessite mais naufragar em ilusões. Vivo as emoções e as desejo eternizadas. Deus, família e amigos são as prioridades da minha vida.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Você é fruto de suas escolhas

Você pode vencer

domingo, 15 de novembro de 2009

Conquistando o impossível pela fé

'2012' Trailer HD

Pablo Picasso: uma das principais figuras da história das artes plásticas





O artista espanhol Pablo Picasso (25/10/1881-8/4/1973) destacou-se em diversas áreas das artes plásticas: pintura, escultura, artes gráficas e cerâmica. Picasso é considerado um dos mais importantes artistas plásticos do século XX.

Nasceu na cidade espanhola de Málaga. Fez seus estudos na cidade de Barcelona, porém trabalhou, principalmente na França. Seu talento para o desenho e artes plásticas foi observado desde sua infância.

Suas obras podem ser divididas em várias fases, de acordo com a valorização de certas cores. A fase Azul (1901-1904) foi o período onde predominou os tons de azul. Nesta fase, o artista dá uma atenção toda especial aos elementos marginalizados pela sociedade. Na Fase Rosa (1905-1907), predomina as cores rosa e vermelho, e suas obras ganham uma conotação lírica. Recebe influência do artista Cézanne e desenvolve o estilo artístico conhecido como cubismo. O marco inicial deste período é a obra Les Demoiselles d'Avignon (1907) , cuja característica principal é a decomposição da realidade humana.

Em 1937, no auge da Guerra Civil Espanhola ( 1936-1939), pinta seu mural mais conhecido: Guernica. Esta obra já pertence ao expressionismo e mostra a violência e o massacre sofridos pela população da cidade de Guernica.

Na década de 1940, volta ao passado e pinta diversos quadros retomando as temáticas do início de sua carreira. Neste período, passa a dedicar-se a outras áreas das artes plásticas: escultura, gravação e cerâmica. Já na década de 1960, começa a pintar obras de artes de outros artistas famosos: O Almoço Sobre a Relva de Manet e As Meninas do artista plástico Velázquez, são exemplos deste período.

Já com 87 anos, Picasso realiza diversas gravuras, retomando momentos da juventude. Nesta última fase de sua vida, aborda as seguintes temáticas: a alegria do circo, o teatro, as tradicionais touradas e muitas passagens marcadas pelo erotismo. Morreu em 1973 numa região perto de Cannes, na França.

UnB | Instituto de Artes | TECNOLOGIAS CONTEMPORÂNEAS NA ESCOLA 2


Roteiro para Plano de Aula em Arte


Aluna: Joseneide Brasil de Carvalho



Nome da Atividade:
Analise de filme e programa de Televisão


Fundamentos teóricos:
Lanterna mágica, Comunicação , Mundo Digital


Objetivos:

Geral
• Refletir sobre as forma de comunicação/entretenimento/ arte.

Específicos
• Contextualizar essas mídias;
• Pensar no uso artístico e criativo delas;
• Experienciar o trabalho criativo em equipe
• Desenvolver a criação em grupo.

Conteúdo:
• Cinema e TV
• A história do cinema;
• Cinema no Brasil;•

Tempo:
2 horas/aulas.


Metodologia:

Será solicitado aos alunos que comentem filmes a que assistiram na TV, DVD, ou no cinema. Será colocado em votação se cada aluno deverá assistir em sua casa ao filme de sua preferência ou se escolheremos um filme indicado pela turma para uma sessão de vídeo na escola. Após a votação será repassado para a turma um roteiro que tem como objetivo analisar um programa de televisão de preferência de cada aluno para refletirmos sobre a “qualidade na televisão”. O programa escolhido pode ser: telenovela, noticiário, programa educacional, videoclipe etc. No roteiro constarão as seguintes perguntas:

a) Nome do programa?
b) Horário da transmissão?
c) Gênero?
d) Descrição resumida:
e) Quem são os participante (atores/ jornalistas, bailarinos etc.)?
f) Conteúdos:
g) Pontos positivos?
h) Pontos negativos?
i) Descrição e/ou avaliação da direção de arte desse programa (figurino, fotografia, cenários, letreiros de abertura etc.);

Ao final os alunos discutirão em classe os vários programas vistos.

Após ter assistido ao filme escolhido o aluno deverá responder ao seguinte roteiro de questões:
a) Nome do filme?
b) Origem?
c) Diretor?
d) Atores principais:
e) Gênero:
f) Descrição resumida:
g) Conteúdo:
h) Pontos positivos:
i) Pontos negativos:
j) Descrição e/ou avaliação da direção de arte desse programa (figurino, fotografia, cenários, letreiros de abertura etc.);
k) Outros detalhes importantes:

Ao final os alunos discutirão em classe os vários filmes vistos.




Recursos:
• Recursos materiais de consumo :papéis, canetas, lápis;
• Recursos técnicos : ( Se houver sessão de vídeo: Data Show , Aparelho de DVD e DVD do filme escolhido;


Avaliação:
Será subdividida em duas partes:
I) Avaliação do produto: Será baseada na apresentação escrita das reflexões sobre as atividades propostas. Terá peso 2.
II) Avaliação do processo: Será baseada na participação geral da turma durante a apresentação oral dos alunos. Peso 1.


Referência bibliográfica:
Bernardet, Jean-Claude. O que é cinema? – Col. Primeiros Passos,Brasiliense, São Paulo, 1985. 118p.

Chris, Rodrigues. O Cinema e a Produção – para quem gosta, faz ou quer fazer Cinema , 3ª Ed. Rio de Janeiro, Lamparina, 2007

WWW.adorocinemabrasileiro.com.br



Atitudes do professor de arte

O professor de Arte deve ser o mediador que irá ajudar o aluno a desenvolver sua capacidade tanto de fazer quanto de olhar para a arte. Para isso ele tem de estar sempre atualizado. Deve mostrar ao aluno novas técnicas, e ensina-lo a usar novos materiais. Também deve conduzir o aluno a pesquisas sobre arte, instigando-o a buscar novos conhecimentos de como a arte se expressa e como ela está presente em muitas questões atuais, como por exemplo, meio ambiente, política, e tecnologias.


O professor de arte tem estar sempre sintonizado em sites que fazem debates e pesquisas sobre arte para que possa sempre estar obtendo informações importantes sobre as novas manifestações artísticas que vem surgindo na atualidade. Deve estar em contato com pessoas que trabalham para que a arte chegue até nós, precisa estar informado sobre os lugares onde a arte é exibida, como os museus, galerias, centros de arte, etc.


Outra atitude importante do professor de arte é a de que ele deve dar suporte para que o estudante possa desenvolver seus projetos de forma individual. Deve auxiliá-lo na aprendizagem de novas técnicas e no exercício de sua criatividade.


É importante que o professor faça o aluno se sentir com vontade de comunicar arte. Para isso, o aluno tem de ser motivado para expressar sua imaginação e suas invenções.


E antes de tudo, o professor de arte deve ser um apaixonado pela arte, de modo que faça dela não só a sua ferramenta de trabalho, mas o instrumento para sua própria vida.


Por Joseneide Brasil

domingo, 4 de outubro de 2009

Canção do Amor Sereno


Vem sem receio: eu te recebo
Como um dom dos deuses do deserto
Que decretaram minha trégua , e permitiram
Que o mel de teus olhos me invadisse.

Quero que o meu amor te faça livre,
Que meus dedos não te prendam
Mas contornem teu raro perfil
Como lábios tocam um anel sagrado.

Quero que o meu amor te seja enfeite
E conforto, porto de partida para a fundação
Do teu reino, em que a sombra
Seja abrigo e ilha.

Quero que o meu amor te seja leve
Como se dançasse numa praia uma menina.

[Lya Luft]

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sabe


Sabe, meu amor, porque eu te amo?

Porque gosto tanto da tranquilidade que você me passa.

Amo teus beijos que parecem querer me devorar.

Fico louca de desejo quando sinto teu toque em minha pele.


Sabe, meu amor, acho que nosso amor já estava escrito.

Por isso, tudo em nossas vidas, tem ocorrido com tanta intensidade.

Tenho a sensação de ter te conhecido durante toda a minha vida.

Só faltava o momento certo para que nossas vidas se cruzassem.


Passamos momentos difíceis, mas não desistimos um do outro.

A vida é assim, cheia de obstáculos que devem ser superados,

E sabemos que juntos ultrapassaremos todos os limites que nos forem impostos.

Se não fosse assim, não teria emoção alguma.


Tudo que é fácil demais se vai fácil demais.

E nosso amor tem emoção, poesia, paixão.

Tem tempero de todos os gostos.

Tem desejos que não morrem nunca.


Essa nova etapa de nossas vidas vai ser muito intensa,

Como tudo que acontece com nós dois.

Parece que pulamos capítulos de nossa história,

Mas na verdade é que eles foram suprimidos

Para que pudéssemos recuperar o tempo perdido.


Para superar o tempo que passamos longe um do outro.

Também “nem foi tempo perdido”, já dizia o Legião,

Porque tudo que vivemos tem seu valor.


Hoje é o tempo certo para nosso amor.

E ele aconteceu no momento certo.

Assim como o fruto de nosso amor.


Quero te fazer feliz.

Não sou perfeita, mas quero encher a tua vida de alegria.

Também quero que você preencha a minha vida com teu amor e com alegria.

Eu te amo.

domingo, 6 de setembro de 2009

Meu amor,

Quando as horas parecerem demorar um ano,
Quando tudo ao meu redor parecer sem cor,
Quando o meu riso se fizer calado
É porque os meus olhos não viram os teus.
Minha boca não tocou na tua.
Meu corpo não sentiu a tua presença.

Mas quando nem noto as horas passarem,
Quando há mais riso no meu rosto
E mais brilho no meu olhar
É porque estou na tua presença.

Por isso, meu amor, não te ausentes de mim.
Não demores a chegar
Mesmo que eu não te chame,
Venha me procurar.
Estarei sempre te esperando.
Te desejando.
Pronta para te amar.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Paixão pelas Petites Blythes






Estas bonecas surgiram no ano 1972, nos EUA e deixaram de ser fabricadas após 1 ano por falta de compradores, o seu público-alvo, as crianças, assustavam-se com estas bonecas pois quando elas mudam a cor dos olhos fazem um "click" que não agradava aos mais pequenos, já para não falar do tamanho desproporcional da cabeça (hoje em dia as bonecas datadas dos anos 70 valem ouro). As blythes tornaram-se famosas quando uma produtora chamada Gina Garan começou a usar uma Blythe como modelo nas suas fotos. Foi em 2001 que a empresa Takara decidiu voltar a fabricar estas bonecas, criando as NEO Blythe (New Edition of Blythe), vários modelos são lançados por ano e são estas as bonecas que são hoje coleccionadas por imensas pessoas. Esta boneca é facilmente ligada ao mundo da arte, moda e fotografia.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Órfão do Eldorado, Milton Hatoum


Numa cidade à beira do rio Amazonas, um passante vem procurar abrigo à sombra de um jatobá e, incauto ou curioso, dispõe-se a ouvir um velho com fama de louco. É o que basta para Arminto Cordovil começar a contar a história de Órfãos do Eldorado: a história de seu próprio amor desesperado por Dinaura, mas também a crônica de uma família, de uma região e de toda uma época que, à base da seiva da seringueira, quis encarnar os sonhos seculares de um Eldorado amazônico.

Essa miragem mítica e histórica serve de pano de fundo a Órfãos do Eldorado e ao destino de Arminto Cordovil, dividido entre o amor pela moça misteriosa e as pretensões dinásticas do pai, Amando, armador enriquecido com a borracha. Na casa elegante em Manaus ou no palacete branco de Vila Bela, Amando nutre fantasias de proprietário e armador, que seu filho único teima em minar.

Entre esses extremos que mal se tocam, uma galeria notável de mulheres - Angelina, a mãe morta; Florita, o anjo da guarda morena; Estrela, a bela sefardita - e os homens - de Estiliano, o advogado grego, a Denísio Cão, o barqueiro infernal - que vivem na própria pele o fausto e os conflitos do ciclo da borracha nos anos que antecedem a Primeira Guerra Mundial. E, no centro de tudo, Dinaura, corpo estranho entre as órfãs das Carmelitas em Vila Bela, moça que parece filha do mato, lê romances, enfeitiça Arminto e sonha com a Cidade Encantada, a Eldorado submersa de que tanto se fala à beira do rio Amazonas.

SOBRE O AUTOR

Milton Hatoum


Nascido em Manaus em 1952, é professor de literatura na Universidade do Amazonas e professor-visitante da Universidade da Califórnia,
em Berkeley. Seus livros Relato de um certo Oriente, Dois irmãos e Cinzas do Norte ganharam o prêmio Jabuti de melhor romance e foram publicados nos Estados Unidos e em vários países da Europa.

Em Liberdade, Silviano Santiago



SINOPSE

No dia 13 de janeiro de 1937, por iniciativa de amigos e graças à ajuda do advogado Sobral Pinto, Graciliano Ramos livrou-se da prisão, após quase um ano encarcerado. O que teria sentido o autor de Vidas secas ao arriscar os primeiros passos em liberdade? O fato é que Graça – como era carinhosamente chamado – jamais escreveu uma linha sequer sobre o período que se sucedeu à soltura. Mas deveria ter escrito – pensa o poeta, escritor, crítico e professor Silviano Santiago que, em uma das mais originais viagens literárias de nosso tempo, aventurou-se em imaginar o que Graciliano teria anotado em um diário a respeito do que viu e viveu nos primeiros três meses fora das grades.

No livro Em Liberdade, Santiago apresenta uma ficção "alterbiográfica", recriando Ramos política e existencialmente. Para mergulhar nesta história, ele estudou durante quatro anos a vida do escritor alagoano, sua obra, pesquisou jornais, revistas e livros da época e consultou mapas do Rio de Janeiro de então. "A partir deste material deixei que minha imaginação delirasse. Para mim foi uma coisa mágica, como se eu estivesse psicografando", conta ele.

Em Liberdade foi considerado pelo crítico literário Fábio Lucas – em matéria no Jornal da Tarde – uma das obras que melhor representa a ficção, a poesia e a ensaística brasileiras do século XX. Também um conjunto de críticos da Folha de S. Paulo, há algum tempo, listou o livro entre os dez melhores romances brasileiros dos últimos 30 anos. Passando pela história de Cláudio Manoel da Costa, no século XVIII, Em liberdade pauta-se em Graciliano Ramos, mas chega a Wladimir Herzog, discutindo a questão do intelectual e o poder. Para Santiago, o livro é um grande mergulho na realidade brasileira. "Uma tentativa de integrar o Brasil, levando em conta seu dilaceramento", afirma ele.
Desde quando foi publicado – na década de 80 – Em liberdade tem suscitado diversas interpretações. A reação da crítica foi entusiástica e salientava a audácia da proposta ficcional. Para os leitores, o romance causou grande rebuliço por ir contra a maré do início dos anos 80, pois se tratava de um livro que enfatizava a liberdade no momento em que, apesar de ser importante o problema da reconstrução da democracia no país, os relatos de prisão eram dominantes nas livrarias.
O romance pode ser apreciado ainda hoje por essas questões que permanecem atuais e instigantes, oferecendo um primoroso retrato histórico do Brasil.

A Cartomante, Machado de Assis


A Cartomante

Machado de Assis


Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de Novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: "A senhora gosta de uma pessoa..." Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade...

— Errou! Interrompeu Camilo, rindo.

— Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...

Camilo pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois...

— Qual saber! tive muita cautela, ao entrar na casa.

— Onde é a casa?

— Aqui perto, na rua da Guarda Velha; não passava ninguém nessa ocasião. Descansa; eu não sou maluca.

Camilo riu outra vez:

— Tu crês deveras nessas coisas? perguntou-lhe.

Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia muito cousa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela agora estava tranqüila e satisfeita.

Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se, Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.

Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não só o estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes, e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa do encontro era na antiga rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de Rita. Esta desceu pela rua das Mangueiras, na direção de Botafogo, onde residia; Camilo desceu pela da Guarda velha, olhando de passagem para a casa da cartomante.

Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura, e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo entrou no funcionalismo, contra a vontade do pai, que queria vê-lo médico; mas o pai morreu, e Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província, onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo, e foi a bordo recebê-lo.

— É o senhor? exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. Não imagina como meu marido é seu amigo; falava sempre do senhor.

Camilo e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vente e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era um ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem intuição.

Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor.

Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela; era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. Odor di femina: eis o que ele aspirava nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; — ela mal, — ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente, e de Rita apenas um cartão com um vulgar cumprimento a lápis, e foi então que ele pôde ler no próprio coração; não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho. Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as cousas que o cercam.

Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.

Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências. Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.

Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante restituiu-lhe a confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: — a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo.

Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.

— Bem, disse ela; eu levo os sobrescritos para comparar a letra com a das cartas que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a...

Nenhuma apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso deliberaram. A opinião dela é que Camilo devia tornar à casa deles, tatear o marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio particular. Camilo divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar a suspeita ou denúncia. Mais valia acautelarem-se, sacrificando-se por algumas semanas. Combinaram os meios de se corresponderem, em caso de necessidade, e separaram-se com lágrimas.

No dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de Vilela: "Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora." Era mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão, afigurou-se-lhe trêmula. Ele combinou todas essas cousas com a notícia da véspera.

— Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora, — repetia ele com os olhos no papel.

Imaginariamente, viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela indignado, pegando na pena e escrevendo o bilhete, certo de que ele acudiria, e esperando-o para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo, e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho, lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita, que lhe explicasse tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um pretexto fútil, viria confirmar o resto.

Camilo ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam decoradas, diante dos olhos, fixas; ou então, — o que era ainda peior, — eram-lhe murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. "Vem já, já à nossa casa; preciso falar-te sem demora." Ditas, assim, pela voz do outro, tinham um tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria passar, que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéa, vexado de si mesmo, e seguia, picando o passo, na direção do largo da Carioca, para entrar num tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.

— Quanto antes, melhor, pensou ele; não posso estar assim...

Mas o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da rua da Guarda Velha, o tílburi teve de parar; a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra. Camilo, em si mesmo, estimou o obstáculo, e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi, ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente da rua. Dir-se-ia a morada do indiferente Destino.

Camilo reclinou-se no tílburi, para não ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária, e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar a primeira travessa, e ir por outro caminho; ele respondeu que não, que esperasse. E inclinava-se para fitar a casa... Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu, reapareceu, e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos... Na rua, gritavam os homens, safando a carroça:

— Anda! agora! empurra! vá! vá!

Daí a pouco estaria removido o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em outras cousas; mas a voz do marido sussurrava-lhe às orelhas as palavras da carta: "Vem já, já..." E ele via as contorções do drama e tremia. A casa olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar... Camilo achou-se diante de um longo véu opaco... pensou rapidamente no inexplicável de tantas cousas. A voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários; e a mesma frase do príncipe de Dinamarca reboava-lhe dentro: "Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a filosofia..." Que perdia ele, se...?

Deu por si na calçada, ao pé da porta; disse ao cocheiro que esperasse, e rápido enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos pés, o corrimão pegajoso; mas ele não viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas. Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para os telhados do fundo. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio.

A cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três cartas sobre a mesa, e disse-lhe:

— Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto...

Camilo, maravilhado, fez um gesto afirmativo.

— E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma coisa ou não...

— A mim e a ela, explicou vivamente ele.

A cartomante não sorriu; disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez as cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas, três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela, curioso e ansioso.

— As cartas dizem-me...

Camilo inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro, ignorava tudo. Não obstante, era indispensável mais cautela; ferviam invejas e despeitos. Falou-lhe do amor que os ligava, da beleza de Rita... Camilo estava deslumbrado. A cartomante acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.

— A senhora restituiu-me a paz ao espírito, disse ele estendendo a mão por cima da mesa e apertando a da cartomante.

Esta levantou-se, rindo.

— Vá, disse ela; vá, ragazzo innamorato...

E de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe na testa. Camilo estremeceu, como se fosse mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda, sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair, não sabia como pagasse; ignorava o preço.

— Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quantas quer mandar buscar?

— Pergunte ao seu coração, respondeu ela.

Camilo tirou uma nota de dez mil-réis, e deu-lha. Os olhos da cartomante fuzilaram. O preço usual era dois mil-réis.

— Vejo bem que o senhor gosta muito dela... E faz bem; ela gosta muito do senhor. Vá, vá tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu...

A cartomante tinha já guardado a nota na algibeira, e descia com ele, falando, com um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo, e desceu a escada que levava à rua, enquanto a cartomante alegre com a paga, tornava acima, cantarolando uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo.

Tudo lhe parecia agora melhor, as outras cousas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.

— Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.

E consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer cousa; parece que formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade... De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignora vale o futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: — Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e vivaz.

A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.

Daí a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra, e mal teve tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Vilela.

— Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?

Vilela não lhe respondeu; tinha as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: — ao fundo sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-o pela gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.


Este conto foi publicado originalmente na Gazeta de Notícias - Rio de Janeiro, em 1884. Posteriormente foi incluído no livro "Várias Histórias" e em "Contos: Uma Antologia", Companhia das Letras - São Paulo, 1998, de onde foi extraído. Com esta publicação homenageamos Machado de Assis que, no dia 21 deste, estaria completando seu 172° aniversário.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Era um vez...


Era uma vez...

Euzinha no Mercado Cultural, assistindo a uma peça que narra uma história ocorrida no dia de São João. O nome da peça: Ouvindo Estrelas. Não, não tem nada a ver com o poema Via Láctea do Olavo Bilac “Ora direi ouvir estrelas...”. Os personagens da peça, a Estelinha (Tainá Santos) e João (Elcias Villar), contam uma belíssima história que habita no imaginário popular de muitas crianças e adultos.

O teatro do Mercado Cultural é uma pequena arena, muito propícia ao Teatro de Rua. O que deixa os atores muito expostos. Além disso, há excesso de iluminação, mas esses fatores não atrapalharam a apresentação Teatral do Grupo Abstractus.

O texto da peça é muito instigante e levou-me a uma viagem ao túnel do tempo. O efeito catártico da peça me fez lembrar da minha época de inocência. Da época que criança era criança mesmo e que se sentia criança, tinha sonhos de crianças e imaginava como criança. Ah...me fez lembrar de como era gostoso ser criança. Do tempo em que nossos únicos medos eram do bicho papão, do Saci, do Curupira, da Matita Pereira, enfim de seres que povoavam o nosso imaginário popular.

Outro fator interessante é a denuncia social apresentada pela peça. A Estelinha é uma das milhares de crianças de ruas abandonada nos grandes centros urbanos. Ao encontrar João ela revela o seu sonho de sair da rua e de ter uma família. É uma menina meiga apaixona pelos folguedos das Festas Juninas. Com seu jeitinho de menina levada faz com que o público se dê conta da situação do menor abandonado no País.

A linguagem apresentada pelos atores é bastante atualizada para as crianças de hoje, cita super-heróis como, por exemplo, o menino Ben 10.

O cenário trazido para a Arena do Mercado Cultural também é bem interessante, e nos faz recordar das mirabolantes caixas de mágica, cheias de surpresas. De um lado uma casa decorada com o cenário de São João, que lembra o interior do país; de outro uma noite escura cheia de prédio que lembram as verdadeiras Selvas de Pedras que são os grandes centros urbanos. Uma verdadeira antítese. Como se cada um dos cenários se reportassem a um dos personagens. João e Estelinha. Proteção e abandono.

O público composto por adultos e criança parecia parte do cenário de tão envolvido na história que estavam. Acredito que muitos dos adultos ali presentes tiveram a mesma reação que eu e saíram dali saudosos de suas infância como eu.

Evebary Hurts

terça-feira, 26 de maio de 2009

Eu, modo de usar


Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!

(Martha Medeiros)

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