Quem sou eu

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Porto Velho, Rondônia, Brazil
Tenho a fé inabalável dos que creem no altíssimo. Sou forte quando os que amo precisam de mim. Sou frágil quando sou magoada. Não acredito em ‘mentiras sinceras’. Amo e procuro exalar amor. Sou ilimitadamente fiel aos que amo. Tenho a piedade caridosa dos que tentam me odiar. Nem sou toda Luz, mas a trevas não se apoderam de mim. O meu coração não é aquele barco com a vela panda. A minha vida não é um barco à deriva. Sou um ser racional, mas me entrego à idéia de ter um “porto seguro”, para que eu não necessite mais naufragar em ilusões. Vivo as emoções e as desejo eternizadas. Deus, família e amigos são as prioridades da minha vida.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Seminário dos Ratos


Seminário dos Ratos

LYGIA FAGUNDES TELLES

Dados Biográficos

Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo, capital, em 19 de abril de 1923. Filha do magistrado Durval de Azevedo Fagundes e de Maria do Rosário de Azevedo Fagundes, passou a maior parte da infância em cidades do interior do Estado onde o pai foi delegado e promotor público. De volta à capital passa a cursar o ginásio do Instituto de Educação Caetano de Campos, tendo sido aluna do professor Silveira Bueno, de quem recebeu os primeiros incentivos para a carreira literária.

Formou-se na Escola Superior de Educação Física. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no fechado ambiente masculino da Faculdade de Direito de São Paulo. Ali participou ativamente da vida universitária integrando a comissão de redação das revistas Arcádia e XI de Agosto.

Casou-se com o professor Goffredo da Silva Telles Jr. Desse casamento tem um filho que segue a carreira de cineasta. Mais tarde casa-se com o professor e escritor Paulo Emílio Salles Gomes, fundador da Cinemateca Brasileira, falecido em 1977.

Concursou e ingressou no funcionalismo público, trabalhando na Procuradoria do Estado. Foi presidente da Fundação Cinemateca Brasileira em São Paulo durante quatro anos e também vice-presidente da União Brasileira de Escritores.

Começou a escrever contos ainda adolescente. Esta na Faculdade quando seu livro Praia Viva foi publicado em 1944. Em 1949, seu volume de contos, O cacto vermelho, recebe o prêmio Afonso Arinos d ABL. Mais tarde, porém, a autora rejeitou seus primeiros escritos por considera-los imaturos e precipitados.

Ciranda de Pedra, de 1954 (romance), é considerado marco de sua maturidade intelectual.

No geral, sua obra tem recebido a melhor crítica no Brasil e no exterior com livros publicados com grande sucesso. Sua presença na vida literária do país, hoje em dia, é de vital importância fazendo-se presente em congressos, debates e seminários. É eleita em 24 de outubro de 1985 para a Academia Brasileira de Letras.

Participou do ciclo de conferências em homenagem a Machado de Assis, realizado no Centro Cultural Banco do Brasil em 1989. Em 1990 esteve na Suécia a convite da Sociedade de Escritores Suecos para participar em Göteborg da Feira Internacional do Livro. Em Buenos Aires participou do congresso de Escritores Ibéricos e Latino Americanos e, em março de 1992, do Congresso Internacional de Escritores onde apresentou um trabalho sobre “A personagem feminina segundo Lygia Fagundes Telles”.

Prêmios: Sua obra literária vem recebendo inúmeros prêmios. Destacamos: Prêmio Afonso Arinos da ABL em 1949; Prêmio do INL em 1958; Prêmio Boa Leitura em 1964; Prêmio do 1º. Concurso Nacional de Contos do Governo do Paraná em 1968; Prêmio Guimarães Rosa da Fundepar, em 1972; Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro em 1974 e Prêmio Pedro Nava, o Melhor Livro do Ano, em 1989.

Algumas obras: Ciranda de Pedras (romance, 1954); Histórias do desencontro (contos, 1958); Verão no aquário (romance, 1963); Histórias escolhidas (contos, 1964); O jardim selvagem (contos, 1965); Antes do Baile Verde (contos, 1970); Seminário dos Ratos (contos, 1977); Filhos pródigos (contos, 1978); A disciplina do amor (fragmentos, 1980); MistériosAs horas nuas (romance, 1989); A estrutura da bolha de sabão (contos, 1991); Oito contos de amor (contos, 1996). (contos, 1981);

Obs. De sua obra foi publicada a Seleta, organização, prefácio e notas da professora Nelly Novaes Coelho, em 1971 e Os melhores Contos de Lygia Fagundes Telles, por Eduardo Portella em 1984. Escreveu, ainda, em parceria com Paulo E. Salles Gomes, o livro Capitu, adaptação livre do romance Dom Casmurro, em 1993.


Processo de Criação

Como você escreve? Usa computador ou máquina de escrever?

“Nem uma coisa nem outra. Eu escrevo à mão. Gosto de usar canetas coloridas, de várias cores. Primeiro eu penso, penso, penso. Depois escrevo, escrevo, escrevo. Fumo, fumo, fumo. Rasgo, rasgo, rasgo. E de novo volto a escrever. É uma coisa! Aí a cabeça vai assentando. É só então que datilografo os manuscritos coloridos numa máquina portátil. Uma Olivetti de colo que ganhei do Paulo Emílio na Itália. E fico com ela no colo, como um bebezinho, ouvindo a música de Bach, Mozart e Beethoven e datilografando


A Prosa Intimista Contemporânea

Lygia Fagundes Telles, quer no Conto, quer no Romance, dá continuidade aos temas desenvolvidos principalmente no 3º. Momento modernista, explorando o homem versus o seu tempo e mundo agitado. Explora questões referentes aos conflitos humanos como a solidão, relacionamentos amorosos conturbados, comportamentos sociais em conflito, a morte, o amor, a consciência, sonhos, memórias, o cotidiano e sua pobreza, o homem enfim.

O intimismo fica por conta da linguagem confessional a descrever os sentimentos e pensamentos de um eu moderno submetido a um mundo agressivo em que os homens não se harmonizam, encontrando dificuldades, questionamentos e não soluções à boa convivência no planeta.

Utilizará, nem sempre, o artifício crítico e inverossímil da literatura fantástica conduzindo seus personagens a espaços e situações insólitas, irreais, reforçando a mensagem crítica ou lírica que pretende passar.

A Obra: Seminário dos Ratos, o quinto livro de contos de sua obra, é composto por 14 histórias diversificadas no tema, porém perfeitamente adequados à temática maior da sensível autora que explora o intimismo, o cotidiano, focando o homem e seu mundo moderno organizado em sociedades desiguais e opressoras. Segue breve resumo de cada conto.

1º. Conto: As Formigas – Narrado em 1ª. Pessoa, conta a história de duas primas que alugam um quarto numa pensão de estudantes. A prima que nos conta a história (a narradora), estuda Direito e a outra Medicina. A pensão é nos apresentada como sinistra e misteriosa onde os acontecimentos se dão sempre na pouca luz da noite. O quarto fica no sótão e a proprietária é descrita também como uma figura misteriosa como se fosse uma moderna e verdadeira bruxa. Ao apresentar o quarto, pergunta qual das meninas estuda medicina e revela que o antigo inquilino também estudava medicina deixando no quarto um caixote de ossos de um anão que, se a estudante desejar, pode ser utilizado nos estudos.

A certa altura da noite, as meninas sentem forte e indescritível cheiro invadir o quarto. Em seguida percebem milhares de formigas pequenas e ruivas em disciplinada fila virem debaixo da porta até a parede do caixotinho, invadindo-o. o estranho é que as sinistras formigas “só entram” no caixote, não havendo uma fila de retorno. Assustadas, as meninas acabam matando algumas formigas para depois desistirem e dormirem “na mesma cama”. Pela manhã, a narradora nos informa que não há no chão ou na caixa, o mínimo vestígio das estranhas criaturinhas, nem as vivas e nem as mortas esmagadas. Era como se nunca tivessem aparecido. Na noite seguinte a história se repete. A estudante de medicina informa à prima que a situação é a mesma da noite passada, porém a novidade é que as formigas estão organizando os ossos do anão de forma a montarem, corretamente, o esqueleto.

Na terceira noite, nossa narradora chega no quarto já tarde e encontra a prima excitada observando as formigas que, freneticamente, organizam o esqueleto. Depois de dormir um pouco e sonhar como sempre com anão de cabelo loiro repartido ao meio e colete xadrez, é despertada pela prima que confirma, nervosa, a montagem quase completa do esqueleto. Faltam apenas um fêmur e alguns ossinhos da mão.

Imediatamente a futura médica pede a prima que arrume as malas e ambas deixam, na calada da madrugada, aquele quarto com os ossinhos de anão e suas formigas, bem como a pensão e sua proprietária, esquisitas e misteriosas.

2º. Conto: Senhor Diretor – Trata-se de narrativa de uma mulher... Maria Emília, virgem..., no peso de seus sessenta e um anos de idade, reprimidos, solitários e deslocados da atualidade.

Diz-se paulista e professora aposentada. Uma vida dedicada às alunas em tantas classes..., imagem que ela associa, por mais de uma vez no conto, como a um grande e contínuo rio.

A narrativa é compatível com o pensar e agir de uma senhora “sessentona” sem o controle do tempo e dos fatos passados e presentes.

Temos, então, uma espécie de narrativa híbrida, ora expressada em forma de memórias e lembranças, ora como se fosse um ensaio de uma redação a uma carta dirigida a um certo Senhor Diretor (incógnita personagem que representa a autoridade a quem Maria Emília reclama e presta satisfações), ou ainda quer como um simples resmungo, rabugice ou comentário oral de alguém idoso, que se sente fora deste mundo com seus valores diferentes e ultrapassados.

A narrativa ora é conduzida pela própria protagonista, em 1ª. Pessoa – “Imagine se papai estivesse vivo e soubesse do que aconteceu no Municipal, um moço subindo no palco e fazendo a necessidade, ali em cima dos dourados, sob a vista de Carlos Gomes, de Verdi (...) eu já não sabia onde enfiar a cabeça quando ela falou que faziam uma incisão no clitóris da mulher...” – bem como por uma outra voz, oculta em 3ª. Pessoa que acompanha nossa protagonista nos momentos de devaneio e deslocamento pelo espaço urbano que tanto a assusta e a confronta “Lançou um último olhar para a banca de jornais (...) Na tela, um barbudo de cabelos esgrouvinhados espiava por entre a folhagem uma loura que tinha ido nadar nua na lagoa...”.

Dentre as digressões que a narradora acaba fazendo ao longo do conto (digressões que ela mesma, ao final, reconhece), encontram-se as mais diversas situações e pensamentos. Entre outras, reclama muito da atual liberalidade da mulher; da questão sexual sendo encarada abertamente (aborto e partes íntimas discutidos e veiculados com naturalidades); da prostituta que reivindica o reconhecimento da profissionalização de seu secular ofício. Sua memória e comportamento senil referenciam a todo momento seu estado virginal, reprimida sexualmente que, apesar de escandalizar-se, acaba relatando, sensivelmente, lembranças pessoais com seu sexo na adolescência: a primeira exposição das partes ao médico; o medo pelo sexo que, confessa, herdou da mãe; e a condição atual de seu sexo envelhecido e seco.

Além do sexo, comenta sobre o poder, negativo, da mídia e da propaganda, citando o produto Coca-Cola e a imposição do mercado ao seu consumo. Fala constantemente de suas amigas sessentonas, em especial uma tal Mariana, que apesar de ser um pouco mais velha que ela, comporta-se mais jovialmente sendo motivo de crítica (fofoca) e admiração ao mesmo tempo. Noutra feita, cita o parnasiano poeta Olavo Bilac como sendo o seu preferido. O modernismo para ela ainda não chegou.

Ao final, a velha tonta, emocionada no escuro de um cinema cujo filme pouco importasse, revela consciência de seu estado físico e mental num lamento, sensível, disfarçado “Acabei falando em outras pessoas, em mim, espera, vamos começar de novo, sim a carta. Senhor Diretor: antes e acima de tudo (...)”.

3º Conto: Tigrela – Uma mulher oculta narra em 1ª. Pessoa e em discurso indireto, a conversa que teve com a amiga Romana que encontra por acaso num bar. A narradora nos traça breve biografia de Romana deixando a imagem de uma mulher já com alguma história de vida. Hoje, alguém inquieta e nervosa, solitária e carente passando por uma depressão após seus cinco casamentos e... talvez, naquele momento, a perda de alguém que lhe é muito querido.

Conta que de seu último namorado ganhara um filhote de tigre, Tigrela, a quem se apega criando desde a mamadeira até as jóias e presentes dados como se o bicho fosse uma mulher e amante, com quem, durante esses últimos anos, convive numa cobertura com todo o conforto possível.

Num jogo ambíguo, a narrativa vai gradativamente humanizando as ações e o relacionamento de Tigrela com Romana. Da mulher com o animal, para a mulher com a mulher. Após algum tempo de paixão “Gostava de uísque, essa Tigrela, mas sabia beber, era contida (...) E Romana sorriu quando se lembrou do bicho dando cambalhota rolando pelos móveis (...) e aí dançamos um tango juntas, foi atroz”.

Romana confessa que a relação está desgastada e insuportável, sugerindo que ambas se desejam mortas. Olhares carregados, vinganças e mais recente uma violenta crise de ciúmes quando Romana reata com um “ex” seu “No fim quis se atirar do parapeito ao terraço, que nem gente, igual. Igual, (...) Estranhei, Yasbeck tinha ficado de telefonar e não telefonou, mandou bilhete (...) fui ver e então encontrei o fio completamente moído, as marcas dos dentes em toda a extensão do plástico. Não disse mas senti que ela me observava (...) ficamos desconfiadas mais ainda assim, está me entendendo? (...)”.

Muito nervosa, Romana deixa transparecer por mais de uma vez, a vontade de saber a Tigrela morta em suicídio pulando do terraço. Ultimamente isso já era uma esperança. E naquela noite em especial Romana parecia ter uma certeza maior de que finalmente receberia a notícia da morte de Tigrela quando chegasse em casa “Volto tremendo para o apartamento porque nunca sei se o porteiro vem ou não vem me avisar que de algum terraço se atirou uma jovem nua, com um colar de âmbar enrolado no pescoço.”

A autora consegue uma ambigüidade fantástica nesse conto já a partir do título com o nome: Tigrela, que pode ser a união do anima tigre mais o pronome feminino ela, além da capacidade de escolher as palavras adequadamente a comporem as imagens cinematográficas da narrativa.

O conto pode ser visto sob o viés da literatura fantástica, bem como da simples metáfora de um caso de amor.

4º. Conto: Herbarium – Em sensível narrativa, esse conto nos traz uma pequena história contada, em 1ª. Pessoa, por uma menina, criança à beira da adolescência, que descobre a paixão num primo doente e mais velho que vem ficar alguns dias em sua casa.

Não se sabe a causa da doença do primo. Sabe-se que ele é estudioso das plantas e está frequentemente apanhando folhas para seu herbanário “Todas as manhãs eu pegava o cesto e me embrenhava no bosque, tremendo inteira de paixão quando descobria alguma folha rara (...) ele tinha em casa um herbanário com quase duas mil espécies de plantas (...)”.

A menina narradora, desconcertada e apaixonada pelo primo, passa a coletar várias amostras e faz de tudo para impressiona-lo. Deixa de roer as unhas e passa, infantilmente, a ocupar-se somente da presença do primo, mudando algumas atitudes e comportamentos que até então não importavam. A convite do próprio primo aceita ser uma espécie de assistente dando asas à sua paixão e imaginação, até que vem a notícia da partida do rapaz “O chamado era urgente, teriam que voltar nessa tarde. Sentia muito perder tão devota ajudante, mas um dia quem sabe? (...)”.

Triste e sem graça, a menina tenta encobrir seus sentimentos que, a cada passo desengonçado, ficam mais evidentes. Chateada com a notícia da partida e mais a chegada de uma moça que veio buscar o primo, nossa narradora acha uma rara folha que pensa em ocultar do primo só por birra “Estendi-lhe o cesto, mas ao invés de segurar o cesto, segurou meu pulso: eu estava escondendo alguma coisa, não estava? (...) Enfiei a mão no bolso e apertei a folha, intacta a umidade pegajosa da ponta aguda, onde se concentravam as nódoas vermelhas. Ele esperava. Eu quis então arrancar a toalha de crochê da mesinha, cobrir com ela a cabeça e fazer micagem, hi hi! hu hu! Até vê-lo rir pelos buracos da malha, quis pular da escada e sair correndo em ziguezague até o córrego, me vi atirando a foice na água, que sumisse na correnteza! Fui levantando a cabeça. Ele continuava esperando, e então? No fundo da sala, a moça também esperava numa névoa de ouro, tinha rompido o sol. Encarei-o pela última vez, sem remorso, quer mesmo? Entreguei-lhe a folha.”

5º. Conto: A Sauna – Desta vez a voz, o ambiente e o comportamento masculino estarão presentes conduzindo e revelando as memórias e pensamentos do narrador enquanto freqüenta uma sauna tradicional para homens.

Em primeira pessoa, a narrativa flui ao sabor desse homem maduro, um pintor que se diz com certo reconhecimento como artista, que ao longo do conto relembra seus amores, dentro e fora dos dois casamentos. Suas conseqüências e dores.

Em forma de conversa com Marina, sua atual esposa, conta sua vida de carrasco e amante da sua primeira mulher, Rosa, a meiga. No diálogo, Marina toma as dores de Rosa e passa a agredir moralmente o marido como o responsável pela situação de miséria e abandono que passou Rosa. O narrador diz que foi para a Europa sozinho com boa parte do dinheiro da venda da casa de Rosa, a boazinha, que lhe mandou um cheque. Pouco antes Rosa pratica o aborto, e muito antes abandonara o emprego, passara a doméstica com direito a obesidade e humilhações só pra cuidar do crápula. O narrador reluta e defende-se dizendo que amou realmente Rosa. Já com Marina, não. Casou-se de papel passado, filha de pai rico. Inteligente, Marina questiona a causa do machismo no e com o próprio marido. Passa a freqüentar grupo feminista. O pintor reclama confessando que já não há mais paciência nessa relação desgastada.

Ao final, dentro da sauna já alguns minutos, junto com a elevação da temperatura e pressão, suor e lágrimas, nosso narrador atinge o clímax da auto-análise emocionado e comovido, cita, entre tantas lembranças, mais uma vez o quadro que pintou de Rosa como sendo o seu melhor trabalho. Sua consciência chora e diz que quando voltou, procurou Rosa, a desaparecida. Sumiu. Suando e chorando, mostra pavor de sua real solidão implorando a Marina uma nova reconciliação, uma nova tentativa, quem sabe? Num quase desespero que é interrompido pelo funcionário da sauna eu o retira dali “Sorrio para seus pés enormes e comunico que estou um tanto enfraquecido, mas limpo.”

6º. Conto: Pomba enamorada ou Uma história de amor – Uma voz oculta, sempre sensível, em 3ª pessoa, narra a história de amor e fé na crença e simpatias casamenteiras da protagonista, Pomba enamorada, uma mulher que persegue o amor de Antenor desde a juventude quando dançam em um baile da Primavera no São Paulo Chique. A partir de então passa a sonhar e sondar Antenor de todas as formas, sempre com o apoio das rezas e simpatias. O tempo passa, Antenor, que sempre a repeliu, casa-se constitui família com outra mulher. Pomba enamorada casa-se também e continua mandar cartas (sem respostas como sempre) e presentes além das notícias de casamento, filhos e até netos.

Ao final ainda confiante na sorte das cartas que prenunciasse o encontro desejado de tantos anos “Olha ali o Rei de Paus com a Dama de Copas do lado esquerdo. Ele devia chegar num ônibus amarelo e vermelho, podia ver até com era, os cabelos grisalhos, costeleta. O nome começava por A, olha aqui o Ás de Espadas com a primeira letra do seu nome (...) vestiu o vestido azul-turquesa das bodas de prata, deu uma espiada no horóscopo do dia (não podia ser melhor) e foi.”

7º. Conto: WM – Em 1ª pessoa, temos a história do jovem Wlado que, atormentado psiquiatricamente, narra a história de sua original família composta pela irmã, Wanda, e sua mãe, uma ex-atriz, ambas já falecidas.

No consultório do Doutor Werede discute o caso de Wanda e a mania de marcar tudo com WM, como se ainda estivesse viva “Vou até a porta envidraçada que dá para o pátio. No vidro embaçado, com o dedo escrevo um W e um M, duas letra recortadas na folhagem brilhante da chuva, o resto é névoa. Minhas iniciais e as iniciais dela, Wanda e Wlado, uma família de nomes começando com dáblio, mamãe se chamava Webe (...)”.

A mãe fora uma grande atriz. Do pai nunca soube nada. Como o passar do tempo, Wlado e Wanda tem que aprender a conviver com a decadência artística da mãe que passa pela depressão e impaciência com os filhos. Wlado, secretamente, rouba dinheiro da mãe para lhe mandar algumas flores como se fora um fã. É um meio de acalmar a velha atriz até que ela descobre tudo para logo em seguida envelhecer e morrer rapidamente depois de longo período de depressão.

Com Wanda a relação é bonita e de muito carinho. Estão sempre juntos. Wlado três anos mais novo que a irmã, na infância é cuidado por ela enquanto a mãe se ocupa só de si mesma. É por tal que Wlado não deixa a memória da irmã ‘morrer’, comportando-se como se ela estivesse viva e doente da cabeça e não ele. Wlado credita a impulsiva marcação de WM’s como sendo da irmã, sendo que ele é o culpado.

Ao final do conto, Wlado no consultório do Dr. Werebe, relata o ocorrido no Hotel em que Wing, sua namorada, morava. Descreve toda a chegada até o quarto da menina bem como seu corpo já sem vida estirado na cama com o peito cheio de sangue, deixando claro a ‘nós’ que “Wanda” estivera por lá e “marcara, agora mortalmente o peito de Wing”: “Wing Wing não abra a porta! Wanda vai pedir e implorar mas não abra (...) eu ia atrás apagando os rastros por onde ela passava mas se eu limpar essa crosta no peito de Wing vai aparecer o WM de lábios azuis de tão frios deixando entrever bem o vértice seu pequenino seu amado coração.”

8º. Conto: Lua crescente em Amsterdã – Conduzida em 3ª pessoa por uma voz oculta, temos a história de um casal vivendo provavelmente à moda ‘hippie’ (à margem da sociedade capitalista e consumista dos homens), em plena gelada rua de Amsterdã.

A mulher está com muita fome e tenta ganhar um pedaço de bolo de uma menininha que se aproxima e depois, assustada, sai correndo.

Dirige-se ao homem reclamando da situação em que se encontram. Este rebate as críticas e mantém-se calmo, dizendo que o problema é a falta de amor entre eles e que o amor acabou. Passa a sentir certa pena da mulher que está realmente muito magra e abatida.

Ela o culpa e lamenta ter acompanhado-o naquela aventura.

Ao final o elemento fantástico dá sensível finalização ao conto com os dois protagonistas transformando-se em passarinho (ele) e borboleta (ela): “-- Quando acaba o amor, sopra o vento e a gente vira outra coisa – respondeu ele. – Que coisa? – Sei lá. Não quero é voltar a ser gente, eu teria que conviver com as pessoas e as pessoas... – ele murmurou – queria ser um passarinho (...) – Nunca me teria como companheira, nunca. Gosto de mel, acho que quero ser borboleta. É fácil a vida de borboleta? – É curta.

O vento soprou tão forte que a menina loura teve que parar porque o avental lhe tapou a cara (...). Procurou os forasteiros por entre as árvores, voltou até o banco e alongou o olhar meio desapontado (...). Guardou o bolo no bolso e agachou-se para ver melhor o passarinho de penas azuis bicando com disciplinada voracidade a borboleta que procurava se esconder debaixo do banco de pedra.”

9º. Conto: O x do problema – Conta a história de uma família pobre que mora num barraco e que diante da televisão estão torcendo para o participante Aryosvaldo ganhar seu ‘um milhão’ num programa de TV. O ambiente, não fosse triste, é simples e muito miserável. A imagem da televisão é péssima mal dando para ver o programa. O pai, sr. César, tenta de tudo até jogar a antena no molhado. Chega a chamar o gato. Diz que quando este está deitado encima do aparelho a imagem melhora. D. Clorinda diz que o gato hoje não apareceu e que provavelmente fora ‘jantado’ no vizinho ao lado pois lá ontem teve carne. Seria engraçado não fosse tétrico. Aliás, a torcida de seo César é muito fanática e espelha a sustentação que esse tipo de programa tem na classe mais humilde da sociedade. O filho Duda, com a mão sempre no fundo da braguilha, comenta que alguém disse que o programa é marmelada, o que irrita o pai César.

Com muita torcida e dificuldade em obter a imagem, fica-se sabendo que o candidato chega ao prêmio máximo com muita festa tanto nos estúdios quanto em casa de César e Clorinda, que está sempre preocupada com a próxima chuva.

Fecha o conto com César tentando ser feliz de qualquer maneira, mesmo que seja com a felicidade dos outros, enquanto Clorinda lamenta a enchente: “—Um milhão. Se a Ponte Preta ganha amanhã, já pensou? – Tudo foi na enxurrada, até o coitadinho do Nando, mas esses ratos desgramados ficam. (...) – Diz que vai ter agora um cara falando do Pelé, mas quem quer Pelé? Pelé está velho, eu queria o Zico. (...) Ele abriu a porta. Enfiou as mãos nos bolsos, o queixo nítido de vencedor: -- Um chuvisco de nada, não esquenta não, tudo bem, amanhã vai fazer um puta de um sol.”

10º. Conto: A mão no ombro – Nesse conto temos a narrativa misteriosa e detalhada do encontro do protagonista com a Morte. Narrado em 3ª pessoa por uma voz oculta, o conto inicia-se em pleno sonho do nosso herói que se vê num jardim velho, calmo e abandonado.

Depois de passar por uma estatua feminina que encontra-se numa antiga fonte que está seca, acaba sentando num banco verde de musgo até que sente a presença de alguém a lhe bater no ombro: “—E fugir para onde. Se tudo naquele jardim parecia dar na escada? (...) e se cheguei até aqui é porque vou morrer. Já? Horrorizou-se olhando para os lados mas evitando olhar pra trás (...)”.

Apavorado, repete: preciso acordar, acordar... até abrir os olhos e saber que tudo foi um sonho.

Porém, nessa manhã tudo está diferente. Os sons, a mulher com o creme no rosto, o filho preparando-se para ir a escola, tudo. O pensamento no sonho e na Morte não lhe deixa. Sozinho em casa, atrasado para o emprego, entra no carro e de repente se vê novamente no jardim mágico e abandonado. Tenta raciocinar “—Isso da realidade imitar o sonho num jogo onde a memória se sujeitava ao planificado. Planificado por quem?”.

Depois de relutar, aceita alegremente o mesmo jardim do sonho: “—Descobri! Descobri. A alegria era quase insuportável: da primeira vez escapei acordando. Agora vou escapar dormindo (...) Enganar essa morte saindo pela porta do sono. (...) A escada. Os passos. Sentiu o ombro tocado de leve. Voltou-se.”.

11º. Conto: A presença – O velho, o idoso e o desgastado versus o novo, o jovem, a vitalidade em pessoa. Em A presença, um narrador oculto, em 3ª pessoa, conta-nos com certo mistério o conflito de faixas etárias distintas quando um moço de vinte e cinco anos hospeda-se num hotel ocupado por pessoas idosas, burguesas e acabadas para o mundo lá fora. O porteiro, igualmente velho, à medida que faz o registro do novo hóspede, tenta de todas as formas também dissuadi-lo de não permanecer naquele lugar mofado e sem atrativos para um jovem. O rapaz entende e continua firme no propósito de ali se hospedar. O velho tenta novamente descrevendo o mal que a juventude do moço poderá causar aos velhinhos decadentes com seus feridos orgulhos já que muitos ali eram artistas. Fala de uma ex-atriz que mal sai do quarto. Diz também que os espelhos grandes que antigamente pipocavam pelo hotel, foram removidos “Era evidente o alívio dos hóspedes livres daquelas testemunhas geladas, captando-os em todos os ângulos. (...)”

Diz que antigamente aquele hotel fora agitado com inúmeras famílias passando o verão ali na bonita piscina. Danças até de madrugada. Jogos. Competições... “o hotel dispunha de ótimos cavalos. Charretes. Mas aos poucos os hóspedes mais velhos foram dominando, à medida que os mais jovens começaram a rarear, não sabia explicar o motivo (...)”.

Ressalta que se lá fora não há espaço para eles, naquele hotel eles conquistaram esse direito. Formavam uma verdadeira comunidade “uniram-se, e a antiga fragilidade, tão agredida além daqueles portões, foi se transformando numa força. Num sistema. E eram seres obstinados (...) se não eram felizes, pelo menos conseguiram isso, a segurança (...).”

O jovem não considera a advertência dada pelo porteiro e instala-se no segundo andar. Antes do jantar exercita-se na piscina exibindo seu corpo jovem e observando as cabeças alvas que o espiam das janelas.

No jantar comeu com apetite de ‘jovem’ e aplaudiu muito os três velhos músicos que tocaram antigas peças que alguns hóspedes (poucos desceram para o jantar) ouviram imperturbáveis. Achou um certo amargor na goiabada com queijo.

Ao se deitar, depois de ter tomado o chá servido às vinte e uma horas, ele já não se sentia bem.”

12º. Conto: Noturno amarelo – Família, cheiros, lembranças, calor, memórias, acerto de antigas contas: a oportunidade via o fantástico. Esses ingredientes de Noturno amarelo, narrado ao sabor do intimismo de mais ma mulher, desta feita Laurinha que nessa noite junto ao amado Fernando encontra-se em plena estrada com o carro sem gasolina e que em breve irá rever velhos conhecidos.

Enquanto espera Fernando providenciar o combustível, não sem antes aludir que a relação amorosa não vai nada bem, chega até ela o cheiro estonteante da Dama-da-noite. Instintivamente segue o perfume e se vê no antigo cenário familiar de uma casa alta e branca fora do tempo, mas dentro do jardim. Luzes se acendem nas janelas. A sempre boa, Ifigênia, anos na cozinha da família, vem receber festivamente a narradora. Lá dentro estão todos e principalmente aqueles que “ela precisava encontrar: -- Que feio, Laura! A Chapeuzinho Vermelho atravessou um bosque cheio de lobos só pra levar o bolo pra Avozinha que estava com resfriado, não era um resfriado? (...) – Não veio buscar Ifigênia que queria cumprir promessa, não trouxe meu espelho, roubou a torre do Avô, roubou o noivo de Eduarda e não visitou a avó”.

Assim, não se sabe por quanto tempo, esteve entre todos desculpando-se ou ao menos podendo conversar sobre suas culpas. O título do conto fica por conta de sua avó que ao piano mostra uma composição de sua autoria: Noturno amarelo, para a neta visitante, que vê sua irmã caçula, Ducha dançar ao som da música.

De repente, rápido ou lento, Laura não sabe precisar, confunde-se na lembrança e só recorda-se que todos começam a ficar distantes saindo porta fora. Bastante emocionada, Laura consegue sair também e ao dar volta pela casa certifica-se do que suspeitava: nada havia ali atrás daquela porta, apenas um campo. Em seguida reencontra Fernando que nem percebera que ela tinha saído ou não do carro. Ou não terá saído? A viagem continua.

13º. Conto: A consulta – Num hospital, ou clínica, psiquiátrico cujo regime é de liberdade total, médicos, pacientes e funcionários convivem harmoniosamente sem distinção de uniformes e cargos. O narrador oculto, em 3ª pessoa, apresenta-nos o Dr. Ramazian, médico responsável pelo local e que está prestes a se ausentar algumas horas dali. Da janela de sua sala chama o paciente, Maximiliano, para que faça o favor de ficar no consultório a fim de atender e anotar recados telefônicos durante sua ausência, já que a secretaria, Dona Doris, não havia chegado ainda. Mas, contente com o convite, imediatamente pula a janela para dentro do consultório e se diz pronto para o favor. O medico sai e logo batem a porta. Max sentado na cadeira giratória e com o cachimbo na mão, assume a identidade do médico. Abrindo levemente a porta, apresentas-se um homem nos seus trinta e cinco anos, que diz ter consulta marcada às quatro horas com o Doutor, mas devido a sua grande ansiedade não agüentou esperar e pede para ser atendido imediatamente. O falso Dr. Então, pede que ele entre e conte seu problema. Acontece que o tal homem sofre de medo da morte, não podendo sequer pronunciar o nome, passar por cemitérios, enterros, enfim qualquer relação com a velha senhora que venha a ter, acaba passando muito mal. Há dias dorme e come mal. Fuma um cigarro atrás do outro e só com música consegue suavizar seu medo, pois do contrário a morte está em todos os lugares da vida moderna.

Nosso doutor, com seu cachimbo à mão, observa o paciente e lhe diz que para curar tal doença, melhor seria encarar de frente a morte em todos os seus alcances. Diz “mas não é novidade que a única forma de se curar de um veneno é recorrer ao próprio veneno. Como é que se cura picada de cobra?” Conta sobre um outro paciente seu que tinha medo de automóvel, e dentro da mesma filosofia, mandou que ele trabalhasse e tivesse relação com os carros o máximo possível. Como resultado o paciente acabou incorporando o automóvel em si. Saía pelas ruas buzinando uon! uon! uon! e fazendo brrrrrrrrrrrr!... brrrrrrrrrrr!... mas que acabou perdendo para uma jamanta que vinha em sentido contrário. Explica isso, diz então ao paciente que assuma o seu medo e encare a morte de frente. O falso médico pensa em algumas alternativas como trabalhar num hospital, fábrica de defuntos, mas resolve encurtar o tratamento e repentinamente pede que o homem saia e se mate imediatamente. O homem, apavorado, tenta argumentar. O doutor, resolvido, despede-se e manda que cumpra as ordens “saia e se mate em seguida. Uma boa morte para o senhor.”

Sem sabermos o desfecho daquele interessante caso psiquiátrico, o falso doutor recebe a chegada do verdadeiro doutor e relata apenas dois telefonemas que aconteceram durante a sua ausência, omitindo o caso do paciente com medo da morte.

No diálogo final, a loucura comprovada de Max, passa a aparente:

“—Ótimo. Nada mais? Alguém me procurou?

-- Um momento, deixa eu ver – disse Maximiliano franzindo a testa. Encarou o médico: -- Não, ninguém. Ninguém. Posso ir?

-- Sim, sem dúvida – disse o médico passando o olhar distraído na folha de bloco com as anotações. – Ótimo, Max. Você vai indo muito bem, o progresso se fez. Estou muito satisfeito.

-- Eu também.

-- Falta apenas o último passo, você sabe, assumir sem possibilidades de retrocesso. Então estará curado.

Maximiliano sorriu. A voz saiu mansa, num quase sussurro, ‘curado e fodido’.

-- O que foi? Você disse alguma coisa?

-- Não, Doutor, nada. O sr. tem razão. (...)”

14º. Conto: Seminário dos Ratos – Conto que dá nome ao livro, é narrado praticamente em discurso direto entre as duas personagens principais, além dos ratos, é claro. O diálogo central é entre o Secretário do Bem-Estar Público e Privado e o Chefe das Relações Públicas de um país que se vê invadido pelos ratos.

O Secretário, com o pé esquerdo machucado, não pode acompanhar os preparativos e o andamento do seminário que ele realiza sobre os problemas com os ratos, em um importante Hotel afastado da cidade. O Chefe das Relações Públicas então, passa a relatar todos os passos, contando com naturalidade os enormes gastos e o excesso de luxo com os convidados (até internacionais), refeições e infra-estrutura em geral. O Secretário alude à importância dispensada a imprensa a necessidade da propaganda sobre aquele seminário. Tem-se uma pequena amostra de como o dinheiro público é bem empregado em assuntos comunitários naquela sociedade.

O Secretário, à medida que vai acompanhando as explicações do Chefe, começa a ouvir um ruído estranho que do chão parece subir ao teto e depois silencia. A certa altura o chão começa a tremer e todos no hotel entram em pânico. De repente, o barulho aumenta e ondas e mais ondas de ratos invadem o local começando pela cozinha onde não sobra um alimento sequer. Não há energia elétrica pois os cabos foram roídos. Os carros também não funcional pois os cabos foram destruídos. O narrador oculto em 3ª pessoa, acompanha os atos do Chefe das Relações Públicas que acaba se escondendo numa geladeira até que a coisa se acalmasse:

“Arrancou as prateleiras que foi encontrando na escuridão, jogou a lataria para o ar, esgrimou com uma garrafa contra dois olhinhos que já corriam no vasilhame de verduras, expulsou-os e, num salto, pulou lá dentro. Fechou a porta, mas deixou o dedo na fresta, que a porta não batesse. (...)”

Depois de algum tempo, o Chefe não escuta nem um barulho no hotel. Sai da geladeira e corre feito um louco: “Foi andando pela casa completamente oca, nem móveis, nem cortinas, nem tapetes. Só as paredes. E a escuridão. Começou então um murmurejo secreto, rascante, que parecia vir da Sala de Debates e teve a intuição de que estavam todos reunidos ali, de portas fechadas. Não se lembrava sequer de como conseguiu chegar até o campo (...). Quando olhou para trás, o casarão estava todo iluminado.”

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