Quem sou eu

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Porto Velho, Rondônia, Brazil
Tenho a fé inabalável dos que creem no altíssimo. Sou forte quando os que amo precisam de mim. Sou frágil quando sou magoada. Não acredito em ‘mentiras sinceras’. Amo e procuro exalar amor. Sou ilimitadamente fiel aos que amo. Tenho a piedade caridosa dos que tentam me odiar. Nem sou toda Luz, mas a trevas não se apoderam de mim. O meu coração não é aquele barco com a vela panda. A minha vida não é um barco à deriva. Sou um ser racional, mas me entrego à idéia de ter um “porto seguro”, para que eu não necessite mais naufragar em ilusões. Vivo as emoções e as desejo eternizadas. Deus, família e amigos são as prioridades da minha vida.

domingo, 22 de março de 2009

A importância do ato de ler

Rara tem sido a vez, ao longo de tantos anos de prática pedagógica, por isso política, em que me tenho permitido a tarefa de abrir, de inaugurar ou de encerrar encontros ou congressos.

Aceitei fazê-lo agora, da maneira, porém, menos formal possível. Aceitei vir aqui para falar um pouco da importância do ato de ler.

Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.

Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que se movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.

A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, e no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores. A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto - em cuja percepção me experimentava e, quanto mais o fazia, mais aumentava a capacidade de perceber - se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles, nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.

 

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 12. Ed. São Paulo: Cortez, 1986.

  

Leitura: interação

 

  1. O texto, apesar de ser apresentar na forma escrita, mantém algumas características da língua falada. Aponte-as e comente-as.

 

  1. Porque a prática pedagógica se identifica com a prática política? Que estratégia o palestrante utiliza para afirmar isso taxativamente?

 

  1. Por que, segundo o texto, a leitura não se esgota na “descodificação pura da palavra escrita”?

 

  1. Comente a passagem “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura deste não possa prescindir da leitura daquele.”

 

 

  1. em que consiste a ‘leitura” do mundo de que fala o texto?

 

  1. Explique o conceito de “palavramundo”.

 

 

  1. Por que o texto apresenta as formas “re-crio” e “re-vivo” em lugar de “recrio” e  “revivo”?

 

  1. Quais são os “textos”, as “palavras” e as “letras” das primeiras “leituras” de Paulo Freire? Qual a importância dessas leituras para a formação e desenvolvimento da pessoa?

 

 

  1. Que posição social Paulo Freire adota no início de sua exposição? Que posição social lhe é normalmente atribuída pelas pessoas que comparecem a eventos como esse em que o texto foi apresentado?

 

  1. Você se recorda de suas primeiras “leituras”? Conte uma experiência dessas leituras, expondo os “textos”, “frases” e “palavras” que você “leu”.

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