
Barroco –I
Ardor em firme coração nascido;
Pranto por belos olhos derramado;
Incêndio em mares de água disfarçado;
Rio de neve em fogo convertido:
Tu, que um peito abrasas escondido;
Tu, que em um rosto corres desatado;
Quando fogo, em cristais aprisionado;
Quando cristal, em chamas derretido.
Se és fogo, como passas brandamente,
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
Pois para temperar a tirania,
Como quis que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu parecesse a chama fria.
MATOS, Gregório de. Soneto. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Antologia dos poetas brasileiros da fase colonial. São Paulo, Perspectiva, 1979. p. 85-6
- Em que verso da primeira estrofe o eu-lírico expressa a causa de suas lágrimas? Transcreva-o.
- Nessa mesma estrofe, as lágrimas aparecem representadas por metáforas. Quais são elas?
- Essas metáforas formam pares de antítese. Identifique os pares.
- A quem ( ou a quê) o poeta se dirige no segundo quarteto?
- O sentimento do eu-lírico é contraditório. Essa contradição aparece enfatizada por outras duas imagens no segundo quarteto. Que imagens são essas?
- No primeiro terceto, reforça-se ainda mais o caráter contraditório entre o que esse sentimento é na realidade e a maneira como ele se expressa. Transcreva os substantivos que representam esse sentimento na sua essência e os termos que correspondem à expressão dos mesmos.
- O oxímoro, figura bastante empregada pelos escritores barrocos, consiste em reunir palavras aparentemente contraditórias. Exemplo: valentia covarde. No último terceto, as antíteses transformam-se em oximoros, pois as palavras contraditórias aparecem juntas realçando a impossibilidade de expressão do sentimento.Transcreva os dois oximoros.Gregório de Mattos
Barroco – II
À mesma d. Ângela
Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara:
Quem vira uma tal flor, que a não cortara,
De verde pé, da rama florescente;
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por Deus o não idolatrara?
Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
Gregório de Matos
- O substantivo anjo é derivado da forma latina ângelus. Que outras palavras do texto têm relação sonora ou de significado com essa forma latina?
- Angélica pode ser também o nome de uma flor. Portanto, o eu-lírico vê d. Ângela como mulher-flor e mulher-anjo. Que figura de estilo constitui essa junção de duas idéias aparentemente oposta.
- Anjo e flor opõem-se em que aspectos?
- Por se anjo e flor, a mulher desperta sentimentos contraditórios no eu-lírico. Esses sentimentos revelam-se por meio de dois verbos da segunda estrofe Que verbo indica o desejo do eu-lírico em relação à mulher-flor?
- E em relação à mulher anjo?
- Na terceira estrofe, o poeta identifica o papel que caberia à mulher-anjo. Copie o verso que expressa tal idéia.
- D. Ângela, sendo também matéria (flor), não pode ser apenas anjo. Por isso, na última estrofe, há uma frase que destoa da idéia de anjo. Transcreva essa frase.
Barroco – Aula III
Sermão vigésimo sétimo
Os senhores poucos, os escravos muitos; Os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; Os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome; Os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de ferros; Os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses; Os senhores em pé apontando para o açoite, como estátuas da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas atrás como imagens vilíssimas da servidão e espetáculos de extrema miséria. Oh! Deus! Quantas graças devemos a fé que nos deste, porque só ela nos dá o entendimento, para que à vista destas desigualdades, reconhecemos, contudo, vossa justiça e providência! Estes homens não são filhos do mesmo Adão e da mesma Eva? Estas almas não foram resgatadas com o sangue do mesmo Cristo? Estes corpos não nascem e morrem, como os nossos? Não respiram com o mesmo ar? Não os cobre o mesmo céu? Não os esquenta o mesmo Sol? Que destino é este que os domina, tão triste, tão inimigo; tão cruel?
VIEIRA, PE. Antônio. Sermão vigésimo sétimo. In. AMORA, Antônio Soares, org. Sermões. 2 ed. São Paulo, Cultrix, 1981. p. 58
- Dentre as características barrocas enumeradas a seguir, identifique as que aparecem no texto:
a) efemeridade do tempo;
b) emprego de muitas antíteses;
c) visão dinâmica da realidade;
d) religiosidade.
- O autor enfatiza a igualdade entre escravos e senhores a partir de uma concepção cristã do mundo. Relacione essa afirmativa com o texto.
- Nas quatro últimas linhas do texto, que tipo de frase Vieira emprega para tentar despertar a consciência de seus ouvintes?

Um comentário:
e as respostas das questões ?
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